Considerado por muitos como o terror do cálculo, esse é um assunto importantíssimo para quem cursa alguma faculdade de exatas, como engenharia, química ou física, pois além de ser uma das bases dessa matéria tão infame, ele acompanhará o aluno para além do cálculo, sendo utilizado em matérias como física, mecânica dos fluidos e resistência dos materiais. No entanto, dependendo da forma que ele é explicado, o assunto “derivadas” pode ser considerado o mais tranquilo dentre seus colegas limites e integrais.
O que é a derivada?
Derivadas, muitas vezes chamado de diferencial, é um assunto de uma matéria de ensino superior chamada cálculo, cujo significado é “estudo das funções”, ou seja, tudo relacionado ao cálculo gira em torno das funções, sendo indispensável entendê-las para não ter dificuldade nela.
Dada essa introdução, o significado de “derivada” é taxa de variação de uma função, em outras palavras, calcular a derivada de uma função é descobrir como seu valor varia de acordo com os valores que a variável independente assume.
Eu sei, parece confuso, mas vamos analisar um exemplo para facilitar o entendimento, observemos a função
Percebe que, cada vez que eu aumento uma unidade no valor de
Derivada pela definição
Mostrarei nesse tópico como a derivada foi criada a partir dos limites, e todo o processo pode parecer complicado, extenso e confuso, mas não se preocupe, pois para derivarmos uma função, utilizaremos uma tabela que facilitará muito a nossa vida, como explicarei posteriormente. Para descobrir o quanto que algo varia em relação a um outro parâmetro que também está mudando, nós dividimos esses dois valores, por exemplo, na física, quando queremos calcular a velocidade média de um veículo que mantém a velocidade durante todo o percurso, utilizamos a famosa equação:
Pegamos a variação (representado pelo triângulo, chamado de delta) do espaço, ou seja, a distância que ele percorreu no trajeto analisado, e dividimos pelo intervalo de tempo decorrido desde o início até o final do percurso, ao fazermos isso teremos como resultado a taxa média de variação do espaço em relação ao tempo, de forma mais simples, descobriremos quantos quilômetros o carro percorreu a cada hora. Para calcular a taxa de variação de uma função faremos o mesmo, definiremos um intervalo de valores de
Utilizemos nesse primeiro exemplo a função

Como já tínhamos observado, a taxa de variação dessa função é
Então era necessário que os matemáticos desenvolvessem uma equação geral que nos permitisse calcular a derivada independentemente da função estudada, e para isso, explicar como o fizeram, tomemos uma função qualquer cuja inclinação (derivada) varia:

Essa reta vermelha no gráfico acima representa a inclinação da função para esse intervalo demarcado, entre

Como podemos observar, a inclinação da reta vermelha se aproximou da inclinação da própria função (representada pelo gráfico em azul) para esse intervalo menor, mas ainda há como melhorarmos isso, vamos aproximar os dois pontos de tal maneira que a distância entre eles (

Na situação acima, temos um minúsculo intervalo de
O
A pergunta que não quer calar, como que calculamos a derivada utilizando essa equação? Pegaremos a função que queremos calcular a taxa de variação e substituiremos os valores correspondentes nela, e então resolvemos o limite. Mas antes disso, vale uma pequena revisão, se eu pedir para você calcular
Mas e se ao invés de um número, eu te pedir para substituir uma letra? O processo será o mesmo, tomemos a mesma função, se eu quiser calcular
Então, por lógica, para calcular
Fiz essa breve revisão para entendermos o processo de utilização da “equação da derivada pela definição”. Vamos calcular a taxa de variação daquela função
Já que
Agora iremos manipular as expressões para eliminarmos o
Temos uma indeterminação, e se pudéssemos eliminar esse
Olha só, chegamos no valor
Vale a pena ressaltar que a taxa de variação média não é a mesma coisa que a derivada, pois por definição, a derivada é a taxa de variação de uma função em um intervalo infinitamente pequeno, sendo necessário utilizar o limite para representar isso, já a
Tabela de derivadas
Nesse momento deves estar pensando: “Socorro, calcular a derivada de uma função é trabalhoso e difícil demais!”, mas não se desespere, pois os matemáticos já calcularam inúmeras vezes a derivada de várias funções utilizando a equação que mostrei anteriormente, e ao fazerem isso, perceberam que há um certo padrão, sendo criada uma tabela que indica a derivada das funções mais comuns:
Função:
Derivada:
Função:
Derivada:
Função:
Derivada:
Função:
Derivada:
Função:
Derivada:
Função:
Derivada:
Função:
Derivada:
Tens que ter gravadas no sangue as derivadas acima, e por mais que pareça complicado decorar essa tabela, quanto mais você fizer exercícios de derivadas, naturalmente as saberá sem precisar ficar revisitando a tabela. Vou só explicar as duas primeiras derivadas que podem parecer confusas, quando temos uma função que possui uma variável elevada a um número qualquer, para derivá-la, tombamos esse expoente, e então ele passará a multiplicar a letra, e subtraímos uma unidade do expoente antigo.
Exemplo:
Derive a função
Temos uma função que tem uma variável (
Está derivada a função, simples e prático. Agora sobre a função
Propriedades das derivadas
Como quase tudo na vida, há sempre algo mais a se aprender, há duas propriedades que tornarão o processo bem mais tranquilo.
Derivada de uma soma:
Quando temos uma função composta, que possui mais de um termo (função) sendo somados ou subtraídos, podemos derivar cada um deles individualmente, em outras palavras, a derivada de uma soma é igual à soma das derivadas.
Exemplo:
Derive a função
A função acima possui três termos se somando, então podemos derivar cada um individualmente, vamos colocar o apóstrofo nos termos para indicar que iremos derivá-los
Para derivar
Constantes multiplicando ou dividindo na derivada:
Se tivermos uma constante multiplicando ou dividindo um termo que possua a variável pela qual estamos derivando, não fazemos nada com ela, ou seja, ela vai continuar multiplicando ou dividindo a função, mesmo depois de derivarmos.
Exemplo:
Derive a função
Temos o
Com esses conhecimentos, podemos derivar a nossa velha conhecida função
Bem mais rápido e sem complicação alguma.
Derivada em um ponto qualquer
Há funções como as de primeiro grau, cuja derivada vai ser a mesma independentemente do ponto que for analisado, como vimos no caso da função
Exemplo:
Calcule a inclinação da função
Como inclinação da função e derivadas são dois nomes diferentes para uma mesma coisa, o que a questão está pedindo é que derivemos a função, e para isso tombaremos o expoente e subtrairemos uma unidade do antigo expoente, e o
Agora, substituímos o valor de
Regras de derivação
Além da tabela, precisamos saber das três regras de derivação, que são essenciais para derivar corretamente alguns tipos de funções, ao dominá-las você conseguirá derivar qualquer função.
Regra do produto:
Quando tivermos uma função composta onde duas funções distintas estão se multiplicando, como derivaríamos elas? Mostrarei o jeito errado e que muita gente acha ser o correto quando se depara com essa situação.
Exemplo:
Derive a função:
Intuitivamente, podemos ser induzidos a pensar que para derivar essa função, basta derivarmos o
Só que essa derivada está errada, e eu poderia comprovar isso ao integrar a expressão
Agora derivamos corretamente, o que deves se atentar é quem você irá considerar como “primeira função” e quem será a segunda, pois isso deverá ser respeitado na hora de realizar a derivação. De forma geral, a derivada do produto de duas funções é:
Regra do quociente:
Muito parecida com a regra do produto, a regra do quociente serve para casos em que temos uma divisão onde pelo menos o denominador terá uma função que possui a variável independente. Derivamos da seguinte forma:
Ou seja, derivamos a primeira função e multiplicamos isso pela segunda função, menos a primeira função vezes a derivada da segunda, por fim, dividimos tudo isso pela segunda função ao quadrado. Geralmente escolhemos a função do numerador para ser a “primeira”, e que está no denominador será a “segunda”.
Exemplo:
Derive a função
Temos uma divisão de duas funções que possuem a variável independente, que nesse caso é
A função está derivada, mas há alguns professores que exigem que o aluno simplifique a expressão, então farei a simplificação para sanar a dúvida de quem tiver, colocarei o
Regra da cadeia:
Deixei de fora uma informação crucial de propósito, só podemos derivar utilizando a tabela, caso a função seja exatamente igual à alguma da tabela, caso haja algo diferente do que temos na tabela, precisaremos usar a regra da cadeia para derivar, e para explicá-la, utilizarei um exemplo. Quase esqueci de falar, para entender essa regra, utilizarei a seguinte notação para a derivada:
Que significa a derivada da função
Exemplo:
Derive a função
Se procurarmos na tabela, encontraremos a função
Agora derivamos a função
1)
2)
Paremos um pouco para pensar, tínhamos no começo a função
Substituindo
No começo é confuso, mas conforme fores resolvendo exercícios, verás que é mais simples do que parece. Para facilitar sua vida, irei dar uma dica, quando tiveres uma função que não pertence à tabela, derive ela como se estivesse e multiplique pela derivada da expressão que diverge da tabela.
Exemplo:
Derive a função
Se tivéssemos apenas
Aplicações de derivadas
Utilizamos as derivadas em vários assuntos para calcular determinados valores, e irei citar três aplicações muito interessantes.
Resolução de limites por derivadas (L’Hôpital):
Caso tenhamos um limite indeterminado do tipo
Máximos e mínimos:
Conseguimos descobrir qual é o valor máximo ou mínimo de uma função, e o ponto de inflexão, que é quando a concavidade se altera de cima para baixo ou vice-versa.
Otimização:
Podemos resolver problemas que envolvem situações em que precisamos alcançar um valor máximo de algo com o mínimo de recurso possível, como quantas latas de tinta precisamos para preencher determinada área gastando o menor valor. Esses tipos de exercícios são chamados “problemas de otimização”.
Notações de derivadas
Existem diferentes tipos de representações ou notações, para as derivadas, cada uma foi criada por um matemático diferente, sendo melhor utilizar uma ou outra a depender das situações, no entanto, todas possuem o mesmo significado.
Notação de Lagrange:
Notação de Newton:
Notação de Leibniz:
Notação de Arbogast:
As mais utilizadas são a de Lagrange e de Leibniz.
Derivada implícita
Por fim, mas não menos importante, vale a menção da derivação implícita, que é um método específico utilizado para derivar funções que estão na forma implícita (quando o
Exemplo:
Derive a função:
A função acima está na forma implícita, pois o
E então isolamos o
Para saber mais sobre esse método, recomendo que leia o artigo que temos aqui no blog.
Exercícios resolvidos de derivadas
1. Derive a função
Como a derivada de uma soma é igual à soma das derivadas, derivaremos cada termo individualmente
2. Calcule a taxa de variação da função
Apesar de termos a letra
3. Qual é a inclinação da função abaixo?
Temos uma divisão com uma função que possui a variável independente no denominador, então devemos utilizar a regra do quociente, só que pode surgir uma dúvida, qual serão nossas primeira e segunda funções? A primeira será a função constante
4. Determine f’(0) da função
Não temos a função acima na tabela, mas não estamos em um beco sem saída, podemos utilizar a regra da cadeia para derivar. Derivamos a função

Formado em Eletrotécnica pelo IFRN, além de ter cursos de Matemática Básica e Cálculo pela empresa Help Engenharia.